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Quarta-feira, 13/12/2017
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Crianças de 2 a 6 anos

As melhores dicas de desenvolvimento, saúde, educação, comportamento e entretenimento para os pequenos.

Porque as crianças arranjam um amigo imaginário?

As crianças começam a brincar de “era uma vez” ou “faz de conta” desde muito cedo, por volta dos dois anos. E fazem-no repetidamente, imitando frases e atitudes dos adultos. Inicia-se assim um ritual. De certa maneira, nesse novo contexto, no qual surge o amigo imaginário, a criança controla os acontecimentos, sentindo-se importante e especial, sensação esta que pode não encontrar na sua vida familiar, ou na escolar, ou social.

Este tipo de “amigo invisível”, ou “imaginário” ajuda as crianças a lidarem com as ansiedades normais do seu crescimento. Pode ser uma grande ajuda, desde que não se ultrapassem certos limites.

Há vários fatores que podem influenciar o aparecimento destes “amigos imaginários”. Eles podem aparecer quando a criança passa por momentos de estresse ou de ansiedade, como por exemplo, quando um amigo muda de escola, falecimento de um ente da família, separação dos pais, ou vai morar em outra cidade, e então a criança pode substituí-lo por um amigo imaginário.
Numa situação aonde a criança sinta saudade de um ser querido, poderá substituí-lo, durante algum tempo, por um amigo imaginário, que contribuirá para que a angústia da separação não seja tão brusca e traumática, deixando que o tempo faça o resto.

Os “amigos invisíveis”, ou “imaginários” também ajudam a criança a lidar com a solidão. O “amigo”, ou um objeto de conforto, ajuda à criança a fazer face quando sente os medos infantis, que são as situações que mais angustiam a criança, como o escuro, a solidão, o abandono. Nessas situações, este amigo lhe faz companhia, preenchendo um pouco o vazio que se instala na vida infantil, reduzindo a ansiedade. Assim, pode fazer com que não perca o controle, uma vez que vai conversando com o amigo e ouvindo a sua própria voz, a qual, entre outras coisas, o acalma. Estes amigos servem, ainda, para a descarga das emoções contidas, que as crianças não conseguem canalizar adequadamente.

No caso das crianças com síndrome de Down, pouco a pouco o solilóquio se vai interiorizando pela idade da criança e transformando-se em pensamentos a nível superior. A experiência nos indica que jovens e adultos com síndrome de Down, mantém solilóquios quando estão se sentindo muito sozinhos e quando atravessam situações novas e dificuldades que não se sentem capazes de resolver. Como são mais sensíveis ao contexto social e muitas vezes apresentam dificuldades em sua expressão de linguagem oral inteligível, encontram um jeito de conversarem sozinhos para expressarem suas frustrações, medos, tristezas e sentimentos que via de regra não conseguem expressar e conversar com as demais pessoas em seu cotidiano. Outro fator associado está ligado aos processos de pensar e falar entre o que é privado e o que é público. Em alguma medida, as crianças e jovens com síndrome de Down tentam elaborar estas dimensões ao conversarem sozinhas. Mas é de grande ajuda quando estas situações possam ser compreendidas e mediadas pelos pais, irmãos, cuidadores ajudando-os a elaborarem suas dificuldades de comunicação acolhendo-os em sua dimensão subjetiva.

Para as crianças, jovens, adultos e idosos com síndrome de Down, falar sozinho pode ser um único entretenimento que dispõem quando estão sozinhos durante longos períodos. Portanto, isso é um fato para que sempre possamos incentivá-los a buscarem convívio social com outras pessoas, atividades variadas e encontrar objetivos prazerosos para suas vidas.

Orientação aos Pais:
- Os pais inicialmente não devem dar muita importância a este acontecimento. Se ele persistir até à pré-adolescência então, nesse caso, é interessante consultar um profissional de saúde.
- Os pais devem saber que ter “amigos imaginários” é algo perfeitamente comum entre crianças de 3 aos 6 anos de idade.
- Os pais devem saber que esta é uma demonstração das capacidades da criança para explorar e expandir a sua imaginação e criatividade.
- Os pais devem saber que, muitas vezes, estes amigos são usados para lidar com sentimentos como a raiva ou a inveja.
- Os pais devem saber que as crianças podem usar estes amigos para praticarem o que é ser e ter um amigo.
- Os pais devem saber que uma das grandes vantagens destes amigos imaginários é que, se os pais ouvirem as conversas das crianças com eles poderão ser capazes de descobrir alguns dos medos das crianças e alguns conflitos.
- Os pais devem saber que quando a criança pratica o solilóquio e ficar mais exacerbada devem estar atentos e falar com a criança, acalmando-a.
- Os pais devem saber que não vale a pena lutarem contra isto, pois que, não ajuda e pode fazer com que a criança se isole e se sinta diferente, o que não é benéfico.
- Comprem brinquedos e materiais versáteis, que possam ser usados de maneiras variadas. Proporcione-lhes material para desenvolverem as suas fantasias. Quando estão brincando de fazer comidinha ou de ser o dono de um mercadinho, precisam ter sacolas e algumas caixas de comida vazias.
- Forneça-lhes fita adesiva em quantidade. É indispensável para construir casas com cartões e caixas.
- Encoraje-os a brincar com massinha, argila e areia. Estes materiais maleáveis têm um efeito calmante. As crianças podem usá-los todos os dias, de modo diferente, para criarem e controlarem as suas brincadeiras de “faz de conta”.
- Não controle as brincadeiras, deixe que sejam crianças. Não insista em intervir nas brincadeiras das construções infantis.
- Não comprem muitos brinquedos. Comprem-nos com a presença da criança sem impor-lhe o brinquedo. Quando as crianças têm de procurar objetos para as suas brincadeiras, a imaginação voa. Comprem brinquedos em épocas certas, isto é aniversário, dia da criança e festas de fim de ano. O abuso na compra gera consumismo e o valor educativo do brinquedo perde o efeito.
- Ensinar a criança a preservar o brinquedo e a tê-los em ordem, arranjando-lhe um local e recipiente apropriado para guarda.
- Os pais devem saber que a ajuda de um Psicólogo deve ocorrer quando a criança apenas quer estar sozinhas com seu amigo imaginário, evitando o mínimo contato com os outros; suas conversas com o amigo imaginário são em tom negativo denotando baixa auto-estima, tristeza em destaque para jovens e adultos com síndrome de Down e usualmente as situações do cotidiano são envoltas de conflitos e resistências.

Equipe Filhos & Cia
conteúdo cedido pela Rede SACI (Solidariedade, Apoio, Comunicação e Informação) – Programa USP Legal

 
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