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Segunda-feira, 25/09/2017
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Crianças de 2 a 6 anos

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Ainda o álcool…

Através dos tempos o álcool vem sendo apresentado como símbolo de masculinidade, independência e status social. Não raro papais orgulhosos dão golinhos do seu drinque aos pequenos, para exibirem o “filho que saiu ao pai” a amigos e parentes.  Mas essa atitude é apenas uma das muitas que favorecem o uso. A propaganda de bebida em anúncios e em propaganda subliminar nem precisa ser citada. Nos filmes e novelas, o copo de uísque aparece costumeiramente em festas chiques, nas mãos de personagens glamorosos e bem-sucedidos. No contexto geral, o álcool é percebido, portanto, como produto aprovado e não nocivo.


Quer dizer, uma série de fatores conduz, ainda que inadvertidamente, a se considerar chique beber.  Não por acaso, a única droga consumida no Brasil por mais da metade dos jovens entre 14 e 18 anos é o álcool, como constatei em pesquisa publicada em 1996 no livro “O Adolescente por Ele Mesmo”. Passou-se mais de década e a sociedade agora se alarma com o crack e a cocaína; com o álcool poucos se preocupam, em parte por suas características, em parte por ser legalmente permitido. Assim, milhares de adolescentes, a cada saída, consomem vários tipos de bebidas (misturam chope com caipirinha, batidinhas com energéticos etc.), a ponto de se ter tornado comum internações por excesso de álcool ou coma alcoólico. Uma amiga, promotora de festas, relatou-me que hoje ao organizá-las, é imprescindível a contratação de equipes paramédicas para socorro dos que abusam. Também crescem os acidentes de trânsito resultando em morte ou invalidez permanente e a agressividade e quebradeiras em boates e festas. Até mocinhas protagonizam cenas deprimentes, que as envergonhariam, se lúcidas estivessem.
Com tanto incentivo, dá para compreender porque os pais sentem, a cada dia, mais dificuldades em convencer os filhos a não ingerirem bebida alcoólica – ao menos antes dos dezoito, bem entendido. Nos países desenvolvidos a situação não é diversa. Espanha e Alemanha já têm seu “toque de recolher”: a partir de certo horário, é vedada a permanência de menores pelas ruas e bares, com variações locais.  Na Rússia, tem se tornado comum crianças entre sete e dez anos- pasmem! – darem entrada em hospitais em coma alcoólico. No Brasil, alguns prefeitos já tentam emplacar normas semelhantes, aqui encaradas como cerceamento do direito individual de ir e vir.
Discussões e estratégias de combate à parte, frente a isso tudo, urge que os pais ajam. A começar pelo exemplo: beber só eventualmente e manter-se sóbrio sempre, pelo bem dos filhos; passando pelo necessário esclarecimento de que há diferenças, inclusive legais, entre ter 40 ou 14 anos; reafirmando, sempre e sem medo, que eles só têm autorização para beber depois dos 18 e, ainda assim, de forma muito moderada. Referende sua postura com dados confiáveis. Os da OMS, por exemplo, demonstram que se uma pessoa bebe moderadamente, mas de forma constante (ainda que apenas uma dose de uísque três vezes por semana ou dois a três chopes a cada saída), ao final de dez anos terá se tornado dependente.
Atualmente é preciso muita segurança pessoal para sustentar essa forma de pensar: afinal, os próprios adultos se sentem caretas ao fazê-lo. E como convencer, quando não se está convencido? Afinal, proibir cocaína ou crack parece sustentável, mas proibir um chopinho ao filho de quinze anos soa risível e antiquado. Se não conseguir força para tanto, faça seus filhos ao menos, cumprirem a lei. E, enquanto eles esperam ansiosamente os dezoito, aproveitem para fazê-los aprender a beber apenas social e moderadamente; a perceber quando parar; a jamais misturar tipos de bebida. Ajuda bastante fundamentar com textos, em vez de despejar sermões: adolescentes tendem a desacreditar do que dizem os pais. Também é prudente serem claros e não alongar demais o papo, caso contrário, logo estarão falando sozinhos…
É claro que parte dos jovens não seguirá as orientações dos pais, por mais razoáveis e sensatas que sejam. Saberão no mínimo, porém, qual a postura da família frente ao álcool e, caso bebam, terão consciência de que estão agindo contra a lei e os pais. O que basta para que parte deles postergue ou desista do uso. Para outros servirá, ao menos, como freio contra o abuso do uso. No mais é reiterar o fato de sermos os responsáveis por eles perante a lei, respondendo inclusive criminalmente, o que é essencial para que compreendam parte da nossa preocupação.
Quando o assunto é bebida, vale o “quanto mais tarde, melhor”.

Tânia Zagury
Escritora, Professora e Educadora

 
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