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Quarta-feira, 13/12/2017
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Gestantes

Esta seção vai ajudar as gestantes a entenderem melhor o milagre da gravidez

Plantão Médico – Prova de Amor

Há poucos anos, os primeiros bebês de proveta foram notícia no mundo todo. E motivo de acalorados debates, com defensores e detratores, todos ardorosos em seus argumentos. Depois, lentamente, o assunto foi caindo na rotina.

Hoje em dia, o assunto é a clonagem, que parece despertar ainda maior controvérsia. Será que algum dia a clonagem ainda se tornará tão corriqueira quanto a fertilização artificial é hoje?

Porém, mesmo rotineira, a fertilização ainda possui aspectos capazes de causar polêmica. Ou, no mínimo, curiosos. Como este caso, que ocorreu na Clínica de Reprodução Humana da Maternidade Bom Parto.
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Com um gesto preciso, Dr. Duque posicionou a cânula dentro do abdômen e aspirou uma pequena porção do ovário de Marlene. Com a experiência acumulada de muitos anos na direção da famosa clínica de Reprodução Humana, ele tinha certeza de que conseguira bons óvulos, que agora poderiam ser utilizados para fertilização in vitro – FIV. Mas isso teria que ser feito nas próximas horas. Ao contrário de espermatozóides e embriões, os óvulos não podem ser congelados em nitrogênio líquido, pois perdem a capacidade de serem fecundados.

Mas antes disso, foi necessária uma preparação especial. Marlene, uma doadora de óvulos, teve de fazer um tratamento para estimular a ovulação, o que incluiu a ingestão de medicamentos. E também precisou ser sedada e submetida ao procedimento cirúrgico para realizar a aspiração e coleta dos óvulos.

Já a coleta de espermatozóides é bem mais simples. Necessita apenas de um ambiente privado, revistas ou filmes pornográficos e um recipiente esterilizado. Mas ainda não dispensa uma boa mão do paciente… O mais importante é a seleção dos doadores, que são submetidos a uma rígida análise de saúde.

O procedimento de fertilização artificial é bem conhecido e atualmente quase corriqueiro. Mas não deixa de ser delicado, pois se trata de tentar fazer em laboratório o que a natureza faz sozinha há milhões de anos.

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Um dos óvulos de Marlene foi escolhido, bem como uma amostra de espermatozóides do banco de esperma da clínica. Os doadores, homens ou mulheres, eram classificados de acordo com sua idade e características físicas, possibilitando uma ampla variedade de escolha aos interessados.

Sob a supervisão do Dr. Duque, uma bióloga especializada iniciou o procedimento. Consistia em colocar sob um potente microscópio duas micro-pipetas, uma contendo o óvulo e a outra, o espermatozóide. Olhos fixos nas lentes do microscópio, com mãos firmes ela guiou a pipeta contendo o esperma até a borda do óvulo. Com um movimento certeiro, penetrou-o, e com uma pequena pressão despejou o espermatozóide em seu interior.

Pronto? Ainda não. Para que a fecundação ocorra, é preciso aguardar a mistura do material genético do óvulo e do espermatozóide. Tanto aqui, como na fecundação natural, a fusão dos núcleos masculino e feminino se dá normalmente.

Já no caso de uma clonagem, é preciso aplicar um pequeno choque elétrico, para que a célula aceite o novo material genético e comece a se dividir. Isto não faz lembrar os filmes de Frankstein? Neles, para dar vida ao ser monstruoso recém-criado, era preciso aplicar-lhe um poderoso choque elétrico…
Será que a clonagem não está ultrapassando um limite? Mas isto já é outra história…

Após a mistura dos núcleos celulares, estava formada a célula-ovo, contendo os quarenta e seis cromossomos típicos da espécie humana.
Agora esta célula iria começar a se dividir, formando um pré-embrião. Nesta altura, este pequenino projeto de ser humano foi congelado e armazenado. Pronto para uso posterior em mulheres que, por alguma razão, não poderiam ter filhos pelo método natural tradicional.
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Lílian era uma dessas pacientes. Seu sonho de ter um filho já fora adiado muitas vezes. Mas agora ela estava decidida. Fez todos os exames e preparativos com o Dr. Duque. No dia combinado, compareceu à clínica para o procedimento de implantação do embrião. Este, antes de ser implantado, foi submetido a testes para avaliar sua saúde e descartar problemas genéticos.

Uma vez aprovado, o embrião foi colocado em uma pipeta especial, para a introdução no útero. Na verdade, geralmente são colocados dois ou três embriões, pois a chance de perda é grande. A expectativa é de que pelo menos um se fixe à parede do útero. Mas tudo é possível, às vezes nenhum consegue fazer seu ninho, ou então dois ou mais se fixam. Por isso há tantas gestações múltiplas nos casos de FIV.

Mas Lílian teve sorte. A taxa de sucesso em FIV varia de 35 até 50%, mas logo na primeira tentativa ela conseguiu engravidar. E agora carregava dentro de si um embrião, que logo se tornaria um feto. Formado a partir de um óvulo doado por Marlene.
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Apesar de toda a expectativa que cercava este feto supervalorizado, a gestação transcorreu tranqüila. Todos os exames atestavam a saúde de Lílian e seu bebê. Exatamente quarenta semanas depois, ela entrou em trabalho de parto. O primeiro sinal foi a perda do tampão mucoso que ficava no colo do útero. Logo se iniciaram as contrações.

Lílian ligou para o Dr. Duque, que a orientou a procurar o hospital, onde foi internada. As contrações aumentaram de intensidade e freqüência e, após algumas horas, a bolsa das águas se rompeu. O liquido que saiu era bem claro e cheio de grumos, o que atestava a saúde e maturidade do bebê. Agora o trabalho de parto era franco. Lentamente, as contrações foram dilatando o colo do útero de Lílian, para permitir a passagem do bebê. A cada dor, o feto descia um pouco mais, progredindo pelo apertado canal de parto. Nesta descida, todo o liquido que preenchia o seu pulmão foi sendo retirado, o que permitiria uma respiração mais fácil após o nascimento. Coisa que não aconteceria em uma cesariana…

Lílian era valente e havia se preparado para o parto normal, através de cursos e exercícios. Suportou bem todo o trabalho de parto. Cerca de doze horas após o primeiro sinal, a cabeça do bebê coroou na entrada da vagina e logo se desprendeu, seguida pelos ombros e pelo restante do corpo do bebê. Assim que saiu do corpo da mãe, ele começou a chorar, no que foi seguido por Lílian. Até o veterano Dr. Duque escondeu, numa fungada, a emoção que sentia.
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Após um curto período de recuperação na sala de parto, Lílian e seu bebê foram levados ao apartamento, onde eram aguardados com ansiedade. Lá estava a pessoa que a ajudaria a criar esse filho, que seria a companhia dos dois para o resto da vida.

Marlene.

Marlene e Lílian eram homossexuais, estavam casadas há muitos anos, e sempre tiveram o sonho de ter um filho. Estudaram várias alternativas. Relação sexual direta com um homem. Inseminação artificial, com a colocação de esperma diretamente no útero, no laboratório. Adoção.

Por fim, optaram pela fertilização in vitro, usando um óvulo fecundado de Marlene implantado em Lílian. A decisão por este método foi porque, desta forma, ambas teriam participação direta e fundamental na geração daquela criança.

Uma decisão cara, difícil, complicada, insólita. Além de outros adjetivos que cada um poderá usar para qualificar esta atitude. Sem contar as dúvidas que poderão surgir no futuro. O que responder quando esta criança perguntar como foi gerada, como veio ao mundo? Quem é seu pai, ou sua mãe?

Mas quem de nós poderá julgá-las?  Pois a resposta, elas têm na ponta da língua: foi uma verdadeira prova de amor!

Ruy do Amaral Pupo Filho
Pediatra, Sanitarista e Escritor

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