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Segunda-feira, 16/10/2017
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Crianças de 7 a 12 anos

As melhores dicas reunidas, desde a fase dos "porquês" até a pré-adolescência.

Educação sexual

A sexualidade é um dos maiores tabus da espécie humana, embora seja um sentimento primordial que acompanha a pessoa desde sua concepção, até o final de sua vida.

Para a grande maioria das pessoas, é um assunto difícil de abordar. Assim, muitos preferem silenciar e ignorar o assunto, esperando que alguém, na escola, na rua, ou sabe-se lá onde, eduquem seus filhos sobre esse tema. Muitas vezes até mesmo os profissionais e as instituições têm suas dificuldades também.

Lembro-se de uma visita que fiz a uma escola de educação especial para adolescentes, onde presenciei um casal de alunos que namorava num canto, trocando olhares apaixonados. Aproveitei a oportunidade e perguntei para as duas professoras que me acompanhavam, como era tratada naquele local a questão da sexualidade. A resposta me estarreceu. –“Não, nós não temos isso aqui” – disseram elas!

Assim, silenciar sobre este assunto com os filhos é dar a pior educação sexual que eles poderão ter. Qualquer coisa é melhor do que este silêncio.

Por outro lado, educação sexual não é, como pensam alguns, marcar um dia e hora, para então ter uma grande e única conversa com seu filho, que resolverá todos os problemas.

A sexualidade deveria ser um assunto normal, tratado de forma natural, desde o início da vida da criança. É claro que cada família tem as suas convicções, suas ideologias e crenças, e isto deve ser respeitado. E se os pais querem, mas têm dificuldades pessoais para abordar o tema, podem recorrer à literatura ou a profissionais especializados. Lembrando mais uma vez que o pior de tudo é ignorar e silenciar.

Evidente também que este é um tema muito amplo, assunto para livros especializados. Mas aqui vão algumas idéias essenciais.

As pesquisas mostram que é enorme a ignorância dos jovens sobre os assuntos ligados à anatomia e ao funcionamento de seus corpos, especialmente na área sexual.

É importante lembrar que a sexualidade ligada aos órgãos genitais só vai se desenvolver na adolescência, mas que desde pequenas as crianças têm esta energia vital, que se apresenta sob formas sutis ou desfocadas.

Assim, o ideal é começar de pequeno. A norma recomenda que se espere pelas perguntas da criança, que devem ser respondidas de forma simples, clara e direta. E sem estender a resposta além do que ela perguntou. O exemplo clássico é o da criança pequena que pergunta aos pais de onde ela veio. Ela ficaria bem satisfeita se a resposta fosse de que ela veio da barriga da mamãe, e demoraria alguns meses para voltar e perguntar como foi que ela entrou lá. Mas os pais ansiosos aproveitam a chance para dar aquela grande aula, da qual a criança não vai entender quase nada.

Conforme a criança vai crescendo, as perguntas vão ficando mais elaboradas e assim devem ser as respostas. Importante lembrar que hoje há muita informação, distorcida, sendo veiculada especialmente na televisão, estimulando a erotização precoce das crianças.

Dia desses, minha filha mais nova, que está com treze anos e tem síndrome de Down, me procurou toda feliz. -“Papai, aprendi que eu já tenho menstruação, e por isso já posso engravidar!” –“Que bom, e onde foi que você aprendeu isso, na escola?’ – disse eu. –“Não, respondeu ela, foi na televisão!”- e citou o nome de um conhecido e apelativo programa humorístico!

Para ajudar nesse processo, os pais que se sentem bem podem deixar que os filhos os vejam nus, quando pequenos, na hora do banho por exemplo. Deixar que as crianças presenciem o namoro e até o parto dos animaizinhos domésticos também é uma boa forma de desmistificar o tema.

A boa educação sexual é uma forma de ajudar a criança a prevenir e evitar agressões sexuais. Nos Estados Unidos, as crianças são ensinadas a colocar as mãos na cintura, abrir os cotovelos e girar completando um círculo. Em seguida ela é informada de que aquele espaço que foi delimitado pelo girar é o seu espaço próprio, íntimo, no qual as pessoas só podem entrar com sua autorização. E que ela não deve permitir que ninguém invada aquele espaço se ela não se sentir bem. Uma bela maneira de ensiná-la a preservar sua intimidade e privacidade.

Os temas abordados na educação sexual são amplos e variados, dependendo da idade da criança. O funcionamento do corpo e dos órgãos sexuais, a reprodução, a prevenção da gravidez e das doenças sexualmente transmissíveis, como a AIDS e outras, o uso da camisinha, e assim por diante.

Existem pelo menos meia dúzia de doenças sexualmente transmissíveis (DST) de origem viral que são freqüentes, e durante um bom tempo podem não causar nenhum sintoma no paciente. Entre elas as hepatites B e C, a própria AIDS, e outras. Portanto, não dá para confiar apenas na aparência saudável do parceiro (a). É preciso ensinar aos nossos jovens que jamais deve haver nenhum contato direto entre órgãos sexuais e pele, sem camisinha.

Muitas escolas têm hoje em seu currículo cursos de educação sexual, que poderão ajudar os pais a cumprirem mais esta tarefa essencial.

Ruy do Amaral Pupo Filho
Pediatra, Sanitarista e Escritor

 
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