Publicidade
Quarta-feira, 13/12/2017
Busca
Buscar
Facebook
Twitter
RSS
Cadastre seu e-mail em nossa newsletter

Crianças de 7 a 12 anos

As melhores dicas reunidas, desde a fase dos "porquês" até a pré-adolescência.

Adolescência

Ah, a adolescência! Período, como todos sabemos, de fantásticas transformações na mente e no corpo das crianças, que se tornam jovens, e ao final dela, adultos. Um tema que para ser bem abordado mereceria um tratado, mas este não é o objetivo deste livro. Pretendo colocar aqui apenas algumas idéias e conceitos básicos para introduzir o assunto, remetendo o leitor mais interessado aos livros especializados.

O período de pré-adolescência é o que vai dos dez aos doze anos de idade,  e a adolescência vai dos doze aos dezoito ou dezenove anos de idade.

Antigamente o adolescente não tinha nenhum médico para atendê-lo. A pediatria cuidava dos pacientes até doze anos, e o clínico geral atendia a partir dos dezoito anos. O adolescente ficava abandonado numa “terra de ninguém”. Felizmente isso mudou, e a pediatria criou uma especialidade só para o adolescente, chamada hebeatria.  O número de hebeatras no Brasil ainda é pequeno, mas a especialidade está crescendo rapidamente. O hebeatra é, portanto, um pediatra com formação especializada nesta área.

As transformações físicas se iniciam na pré-adolescência, com um período chamado de repleção, onde a criança ganha peso e acumula energia para o período seguinte. Por esta razão os pré-adolescentes costumam ter um aspecto um pouco mais “gorducho”, em geral normal para a idade, mas que pode chegar à obesidade. E fica aqui um alerta, para a prevenção da anorexia nervosa, uma doença que cada vez mais acomete os jovens, devido à excessiva preocupação com o peso que muitos apresentam.

Existe hoje uma tendência de antecipação das mudanças, e na  pré-adolescência já ocorrem hoje muitas transformações que antigamente só ocorriam na adolescência propriamente dita. Já é muito comum vermos atualmente meninas, na faixa de idade abaixo de doze anos, e já menstruando.

Na etapa seguinte, já em plena adolescência, ocorre um período de estirão, com grande e rápido crescimento, à razão de dez a quinze centímetros por ano. Ocorre ainda o aparecimento de caracteres sexuais chamados de secundários, como os pêlos nas axilas e região genital, os seios na menina e a barba no menino.

Mas ainda mais surpreendentes são as transformações psicológicas. O adolescente modifica o relacionamento com a família, da qual começa a se afastar, e passa  a valorizar mais o grupo de amigos ou colegas de escola.  Esta é uma fase totalmente normal, que faz parte do amadurecimento deste jovem. E não deve ser vista pelos pais como um descaso ou abandono. Por outro lado, os pais devem se esforçar para continuar acompanhando as atividades do filho, conhecendo seu grupo de amigos, para que este distanciamento normal não se transforme num abismo de graves conseqüências.

O adolescente tem como características a impulsividade, além de um certo modo desajeitado de se portar e movimentar. Isto se deve ao seu crescimento muito rápido, que faz com que sua mente não acompanhe o seu corpo. O físico muda tão rápido, que a mente não acompanha na mesma velocidade. Daí surge esse descompasso, que se manifesta por esta temporária “falta de jeito”.
Entre os problemas mais comuns de saúde típicos desta fase está a acne, que atualmente tem tratamentos muito eficazes.

 A necessidade de liberdade do adolescente é crescente, e os pais deverão ter muita coerência e sensibilidade para saber quando estreitar e quando ampliar os limites.  Tudo deverá ser negociado, com serenidade, estabelecendo, por exemplo,  novos horários para sair e chegar em casa.

Para muitos é um período conturbado, que vai exigir de todos muita paciência, mas que pode ser superado com boas doses de tolerância, compreensão mútua e muita conversa. Se já houver uma boa base anterior, uma boa educação estruturada desde o início, tudo ficará mais fácil. Por esta razão, não gosto de alguns rótulos que costumam ser colocados nos adolescentes, como o de chamá-los de “aborrescentes”. Ao fazer isto, desconsidera-se a individualidade de cada jovem, de suas famílias, e da relação entre eles.

A consulta com o hebeatra segue uma dinâmica própria, onde uma etapa é feita com a presença dos pais e outra apenas com o médico e o adolescente. Muitos aspectos importantes, como vacinas, alimentação, e crescimento, entre outros, são abordados. Incluindo a educação sexual e a prevenção do uso de drogas.

Habitualmente o atendimento ao adolescente é feito por uma equipe multiprofissional, da qual fazem parte também psicólogos, fisioterapeutas,  e outros que se façam necessários.

Ruy do Amaral Pupo Filho
Pediatra, Sanitarista e Escritor

 
Deixe seu comentário:
Nome:
E-mail* ( Seu e-mail não será divulgado! )
Comentário*
 
Gestação Semana a semana

E-mail

Senha