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Gestantes

Esta seção vai ajudar as gestantes a entenderem melhor o milagre da gravidez

Entrevista com o pediatra no Pré-Natal

Os cuidados com a saúde do bebê começam ainda antes da concepção.

Todo casal deveria realizar um exame pré-nupcial. Como o nome diz, antes do casamento ou da procriação homem e mulher passam por exames clínicos e laboratoriais para avaliação da saúde de ambos, visando a uma futura gestação.

A preocupação com a saúde do bebê continua durante o pré-natal, cuja importância é óbvia. Durante este período a gestante deve observar os cuidados com alimentação, vacinas, medicação e realizar consultas periódicas com o obstetra. É fundamental seguir as suas orientações, que vão influenciar diretamente a saúde da mãe e do filho.

Mesmo as mães mais carentes de recursos materiais têm hoje a sua disposição uma oferta praticamente universal de serviços públicos de pré-natal, graças ao Sistema Único de Saúde- SUS. É verdade que o SUS tem seus problemas principalmente porque até hoje não foi totalmente implantado da forma como foi planejado. Mas muitas das críticas que sofre são exageradas e injustas. Os princípios de gratuidade, universalidade e descentralização deste sistema têm permitido o acesso de praticamente todas as gestantes do país a serviços especializados de assistência. Pode-se dizer que hoje no Brasil, de modo geral, só não faz pré-natal quem não quer… Se na sua cidade não é assim, procure o Conselho Municipal de Saúde, órgão composto por técnicos e pela população, e que tem a obrigação de fiscalizar a qualidade dos serviços prestados pelo SUS.

É no período entre o 7o e o 8o mês de gestação que a gestante deve fazer uma entrevista com o pediatra que irá acompanhar seu parto . Este tipo de atendimento ainda é pouco conhecido e fica restrito às parcelas mais favorecidas da população. Mas devemos ter como meta que mesmo na rede pública a gestante tenha direito a este serviço.

Esta entrevista tem vários objetivos . O primeiro é o de promover um conhecimento mútuo entre a família e o pediatra, iniciando uma relação de confiança e empatia, que irá ajudar muito no trabalho conjunto pelo bem do bebê. A ela deveriam comparecer idealmente o pai e a mãe, além dos avós. Conhecendo-se a importância das opiniões das avós, principalmente em relação à amamentação, não se deve perder esta oportunidade de tê-las como aliadas. Sabedoras da importância do aleitamento materno, poderão auxiliar a futura mamãe a amamentar seu bebê.

Infelizmente na maioria das vezes a gestante não faz entrevista alguma. Somente na hora do parto é que vai ter o primeiro contato com o pediatra que vai cuidar de seu filho nesse momento tão crítico e importante. Quando vai à entrevista na maioria dos casos vai só, apenas ocasionalmente acompanhada por sua própria mãe. Raras vezes tem a companhia do marido ou companheiro.

É nesta entrevista que o pediatra vai conhecer todos os detalhes da gestação atual e de anteriores, se houver. Todos os dados sobre a saúde dos pais são importantes. A existência de alergias, infecções, os hábitos e eventuais vícios, tais como fumo, álcool ou uso de drogas. Possíveis medicamentos em uso. O tipo sangüíneo (A, B, O, ou AB) e o fator Rh (positivo ou negativo) também são de muito interesse.

As mais diversas circunstâncias relacionadas à gravidez devem ser conhecidas pelo médico. Desnecessário dizer da importância da sinceridade absoluta nas respostas…

A mãe é uma adolescente ? Por incrível que pareça, em geral transformam-se em tranqüilas, dedicadas e ótimas mães! O pai é adolescente? Com raras e honrosas exceções, geralmente fogem da raia… O casal já tem mais idade? Muitas vezes tendem a ser mais emotivos, ansiosos e inseguros…

O tipo de gestação. Se saudável ou não. De risco, ou de alto risco. É preciso saber se a gestante tem ou teve cólicas, sangramentos, problemas de pressão, diabetes ou outros. Se a gestação foi programada ou acidental. A produção independente. Gêmeos! Quantas vezes já tentaram ter este filho? Reprodução assistida? Será aquele caso que chamamos na medicina de feto super valorizado (quando os pais, por algum motivo, esperaram este bebê por muito tempo)?

Será que os pais poderão contar com a ajuda de outros familiares para os primeiros cuidados com o recém-nascido? Isto é importante principalmente quando se trata do primeiro filho. Um bom curso de preparação para pais pode ser muito útil. O pediatra pode indicar um, caso o obstetra não o tenha feito.

E o bebê? É saudável até o momento? Está sendo desejado pelos pais ou está sendo rejeitado? Há predisposição para um parto normal ou já existe algum motivo que possa sugerir uma cesariana?

O conhecimento de todas estas informações é muito importante. O tipo sangüíneo dos pais pode ter repercussões na saúde do bebê. A idade também tem influência, pois mães muito jovens ou mais idosas têm mais probabilidade de ter determinados problemas.

Quanto aos vícios, nem é preciso se estender muito. Cigarros, álcool, drogas são uma ameaça séria à saúde dos pais. Imaginem então para um delicado ser em formação… Sérios problemas podem ocorrer em crianças geradas nestas condições adversas. E ao contrário do que se pode pensar, é grande o número de mães que, sentido-se seguras e protegidas pelo anonimato da Internet, confessam o uso de maconha ou cocaína durante a gestação e a amamentação. Coisa que raramente acontece no consultório, “ao vivo”.

É durante o pré-natal que a mãe deve começar a preparar seu corpo e sua mente para a amamentação, assunto que será objetivo de um capítulo exclusivo. O obstetra e o pediatra devem incentivar a mãe a amamentar e orientar os exercícios para a otimização do bico do seio para esta finalidade.

Durante a entrevista o pediatra deve fornecer informações detalhadas sobre a amamentação. Se possível, entregando informações escritas .Ou então indicando as fontes destas informações para que a mãe possa se preparar adequadamente, através de leituras esclarecedoras e dos exercícios. Todo o tempo e a conversa investidos neste tópico da entrevista revelam-se de valor inestimável, em vista dos enormes benefícios do leite materno para os bebês.

Ainda na entrevista serão comentados os primeiros cuidados com o bebê e a importância do pediatra na sala de parto.

Quando se trata do segundo filho, é preciso tratar da questão do ciúme. Dentro de nossa cultura, o ciúme é considerado como um sentimento negativo, e que deve ser negado ou eliminado. Mas a verdade é que ele faz parte da natureza humana. Este assunto também será tratado em capítulo a parte.

Um outro ponto muito importante refere-se ao estado emocional dos pais e familiares em geral.

Já nos referimos à ansiedade que a gravidez geralmente traz para toda a família. Ao contrário do que pensam os pais a ansiedade não termina com o parto! Os cuidados com o bebê nos primeiros dias são muito intensos. São as trocas de fraldas, o choro, as visitas em excesso e que demoram demais…

Controlar o estado emocional e manter um ambiente calmo e tranqüilo para o bebê é muito importante .

Hoje é aceito como fato incontestável que os bebês têm vida psíquica intensa. Já existem até estudos detalhados do psiquismo peri-natal. Sabe-se que os recém-nascidos são capazes de sentir o ambiente ao seu redor, embora não se conheça o mecanismo como isso se dá. Se os pais estiverem muito inseguros e ansiosos o bebê será mais chorão, agitado, “nervoso”.

Se, ao contrário, os pais estiverem tranqüilos (ou se esforçarem para isso), a criança ficará também mais calma e tudo será mais fácil.

Para exemplificar basta falar da famosa cólica dos bebês. A cólica é muito mais freqüente no primeiro filho, afeta menos o segundo, e praticamente desaparece a partir do terceiro filho. A explicação encontrada é que a ansiedade dos pais, que costuma diminuir com o aumento da prole, age sobre o bebê de forma negativa.

É bom lembrar que nesta entrevista tudo deve ser comentado, inclusive a questão dos honorários do profissional. A família deve saber quanto custará este trabalho, que normalmente inclui o atendimento em sala de parto e as visitas até a alta hospitalar do bebê. Se têm convênio, devem verificar se cobre esta despesa. Em caso contrário, qual o valor devido.

A família deve ainda saber a quem cabe a responsabilidade de localizar o pediatra na hora do parto. Se é ela, ou hospital quem irá chamá-lo. É importante saber se o seu pediatra é fácil de ser localizado em caso de necessidade.

Atingido o objetivo de promover um conhecimento mútuo entre o pediatra e a família, esta deve em seguida decidir se vai ficar ou não com aquele profissional. O ideal é que a escolha seja feita pela mãe pois ela é quem vai ter maior contato com o pediatra. Pesam nesta decisão fatores como a empatia e a disponibilidade do profissional.

Além de fazer suas próprias anotações idealmente o pediatra deve preencher o prontuário médico portátil com as com informações referentes a entrevista. Neste prontuário portátil, um caderno que fica de posse do paciente, todos os atendimentos, diagnósticos, tratamentos, exames realizados e seus resultados devem ser anotados pelo médico de forma sucinta.

Este prontuário não pretende substituir aquele que de forma completa e pormenorizada é elaborado pelo médico. Mas deve conter de forma resumida todos os dados importantes referentes a saúde do paciente.

Assim, em qualquer atendimento posterior, estas importantes informações estarão disponíveis para uma consulta rápida, seja em uma situação de rotina ou de emergência. Esta prática além de garantir o direito do paciente de ter consigo todas as informações referentes à sua saúde representa uma ação concreta do pediatra em defesa da saúde de seu paciente.

O passo seguinte é ficar em contato com seu pediatra, mantendo-o informado do resultado das consultas seguintes do pré-natal. O ideal é que a cada consulta com o obstetra a gestante telefone ao pediatra, mantendo-o a par do desenrolar da gestação. As vezes podem ser necessárias mais entrevistas para a discussão de outras dúvidas.

Ruy do Amaral Pupo Filho
Pediatra, Sanitarista e Escritor

 
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