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Sabado, 23/09/2017
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Crianças de 7 a 12 anos

As melhores dicas reunidas, desde a fase dos "porquês" até a pré-adolescência.

Dê autonomia e liberdade, com responsabilidade

As crianças precisam de amor, respeito, limites, bons exemplos, valores e hábitos saudáveis.

Mas também necessitam de liberdade, em doses controladas e progressivas, para irem adquirindo e treinando sua futura autonomia.

A contrapartida da liberdade é a responsabilidade, este é o conceito que as crianças precisam aprender. À medida que elas adquirem autonomia para decidir sobre suas vontades e vidas, tornam-se responsáveis por seus atos perante si mesmas, as demais pessoas e a sociedade.

O grande problema na atualidade é que as crianças, estimuladas pela mídia consumista, exigem liberdade mais cedo e em graus maiores do que deveriam ter. O desafio dos pais é dosar esta autonomia. Prender demais é criar crianças dependentes ou frustradas. Dar liberdade precoce e excessiva é criar pequenos tiranos mal-educados.

A boa autonomia, para crianças pequenas, é aquela que as incentiva a adquirir e exercitar as habilidades necessárias para a vida diária. Aprender a fazer sozinha coisas como se vestir, escovar os dentes, comer, usar o banheiro, etc. É preciso ter paciência com suas dificuldades naturais e elogiar sempre os pequenos e grandes progressos alcançados. Uma adaptação temporária do ambiente da casa pode ser necessária, para aumentar a proteção e economizar os “não pode”.

Para os maiores, liberdade significa assumir gradativamente as responsabilidades sobre os diferentes aspectos da vida. Mas sem que isto se confunda com uma ditadura consumista infantil.

A aquisição de autonomia pela criança, não significa imposição da sua vontade sobre a do adulto. Ensine a elas o limite da sua liberdade individual, que como diz o senso popular, termina onde começa a dos outros.

Liberdade é, por exemplo, permitir que a criança faça seu próprio prato, escolhendo, dentro de limites, a quantidade e a variedade dos alimentos. E tendo a responsabilidade de lavar o prato e os talheres depois da refeição. Mesmo que a limpeza não seja perfeita, o efeito educativo será ótimo. Aliás, o aprendizado das tarefas domésticas, para meninos e meninas, é uma excelente escola para a autonomia.

Para os adolescentes é muito bom começar a trabalhar cedo, mesmo que em meio período ou em atividades voluntárias, como comentaremos em artigo específico.

Também neste aspecto pais e mães devem ter bem claras suas convicções, conversando muito entre si e agindo sempre de comum acordo. Desta forma ficará mais difícil para a criança explorar as possíveis contradições dos pais. As crianças costumam usar a famosa tática do “Ah, pai, mas a mãe já deixou…” E o pai, inseguro e desavisado deixa (seja lá o que for), sem perguntar nada para a mãe. Esta, por sua vez, também deixa, já que o pai deixou… E quem assume a responsabilidade? Ninguém, nem a criança.

Outra armadilha comum é a do “Mas todo mundo vai”. Não entre nessa. De modo geral, “todo mundo” hoje em dia é muito mal-educado. Para educar bem seu filho, esteja preparado para remar contra a maré!

Para permitir um treinamento prático e gostoso da aquisição de liberdade, criei em minha casa, no tempo em que meus filhos eram pequenos, um dia especial. Afinal, manter e respeitar todas as regras e os limites pode se tornar para a criança (e mesmo para os pais…) uma obrigação desagradável. Além disso, existe a tentação natural de desafiar as proibições e de transgredir as regras. O proibido é sempre mais gostoso e atraente.

Esse dia especial era chamado de “dia-do-pode-tudo”. Nele, que ocorria com periodicidade indefinida, pequenas e saudáveis transgressões eram permitidas. Num belo dia, acordávamos e… Era “dia-do-pode-tudo”!

E o que havia de especial nele? “Tudo” era permitido! Podia comer doce antes do almoço? Podia!  Não escovar os dentes após a refeição? Sim! Tomar quatro sorvetes, dormir sem tomar banho? Podia, podia tudo! 

“Então eu posso te dar um soco?” – perguntou num “dia-do-pode-tudo”, com cara de safado, meu filho do meio, na época com quatro anos.

“Claro que sim” – respondi, completando – “Mas eu também posso te dar outro soco…” Ele pensou bem e resolveu não me socar, mostrando que começou a entender os limites de liberdade e responsabilidade que existem entre as pessoas.

Ruy do Amaral Pupo Filho
Pediatra, Sanitarista e Escritor

 
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