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Sexta-feira, 15/12/2017
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Crianças de 7 a 12 anos

As melhores dicas reunidas, desde a fase dos "porquês" até a pré-adolescência.

Escola

A escola sempre foi um espaço de fundamental importância na socialização das crianças e jovens. Nela, além do aprendizado formal, a criança vai aprender as regras de convivência na sociedade, vai se conhecer melhor, se desenvolver e crescer como ser humano. Vai descobrir que o mundo é bem maior que sua casa ou sua família

É bem verdade que as crianças de hoje recebem muitas informações vindas de outras fontes, como a televisão e a internet, que desempenham um papel que antes era quase exclusivo da escola. Por outro lado, nos dias de hoje as crianças vão cada vez mais cedo para a escola. Muitas delas começam aos quatro meses, assim que termina a licença-gestante da mãe. Como o brasileiro em geral trabalha cada vez mais e ganha cada vez menos, o jeito é colocar as crianças logo na escola para que toda a família possa trabalhar.

Assim, continua sendo muito importante a escolha da melhor escola possível, onde seu filho vai passar uma parte fundamental da vida dele.

É claro que o conceito de “a melhor escola possível” vai variar para cada pessoa, em função de inúmeros fatores. Localização, área física, preço, qualidade do ensino, linha pedagógica, valores familiares, atividades extras, são alguns dos que os pais devem levar em conta. Não é uma tarefa fácil, e demonstra claramente que não se deve colocar uma criança em qualquer escola, só porque “é perto”, por exemplo. O conjunto de fatores deve ser analisado, levando-se em conta também a individualidade, a personalidade da criança.

No caso de berçários, creches ou pré-escolas, deve-se verificar com cuidado as condições de área física da instituição. Se as instalações são seguras, se ela recebe sol, se as salas são limpas e arejadas, se há pessoal em quantidade suficiente. Visitas à escola em horários diferentes, sem agendamento prévio, ajudam a conhecer a realidade do local. Se possível com a participação do casal e da criança. Em caso de dúvida, procure a secretaria de educação de seu município para verificar se a escola está devidamente registrada e regularizada.

Quando a criança inicia a freqüência à pré-escola, algumas dificuldades podem ocorrer, especialmente nos primeiros dias ou semanas. A criança e os pais estão inseguros, e poderão ocorrer crises de tensão e choro (de ambas as partes…). Nada que não possa ser contornado com o apoio das professoras, mantendo uma atitude firme, paciente, de confiança e apoio, sem fraquejar! Algumas escolas oferecem um período inicial de adaptação, onde a mãe permanece junto do filho na escola por algumas horas. Mas a situação costuma se normalizar rapidamente.

Quando esta reação negativa se estende por muito tempo ou se mantém muito intensa, uma reavaliação precisa ser feita. Às vezes pode ser necessária uma mudança de escola, ou mesmo um adiamento da entrada na escola. Nesta situação, atitudes de força, obrigando a criança a ir para a escola, são negativas e contra-producentes.

Nos primeiros meses de convivência é comum e até esperado um grande aumento no número de infecções que a criança apresenta normalmente. Gripes, resfriados, diarréias, otites e outros podem passar a ocorrer repetidamente. Especialmente as famosas “viroses”. O quadro tende a ser pior quando já existe algum outro problema, como por exemplo, as alergias respiratórias, muito comuns atualmente.

Muitas destas situações podem ser prevenidas pelo pediatra, através do uso de vitaminas, medicamentos ou vacinas, dependendo de cada caso. Eventualmente, em situações mais graves, pode até se tornar necessária a saída temporária da criança da escola. Mas em geral, após alguns meses de convivência, a criança adquire maturidade imunológica e supera esta fase difícil.

Considerando-se que cada criança tem sua personalidade própria, a relação com os professores e colegas pode ser mais fácil ou mais difícil. Os pais e professores devem ficar atentos para verificar se a criança está tendo uma boa adaptação e bom relacionamento com os colegas.

Uma boa indicação de que as coisas vão bem é quando a criança está feliz e demonstra prazer em ir para a escola.

Alguns problemas podem ocorrer. As agressões, por exemplo, preocupam os pais, especialmente quando seu filho é o agredido. Nem sempre a mesma preocupação se manifesta, quando seu filho é o agressor… Parece que ser capaz de agredir é considerado até como uma qualidade, ou como um problema menor. Outras crianças demonstram clara dificuldade em respeitar os limites estabelecidos na escola, e alguns se apossam sem cerimônia de objetos que não lhes pertencem.

Todos esses e os demais problemas que possam surgir devem ser trabalhados com a criança, com o apoio da equipe de profissionais da escola e do pediatra.

Uma indicação de possíveis dificuldades é quando a criança apresenta-se triste ou recusa-se a ir para a escola. Pode ainda mostrar sintomas físicos como dor de cabeça, dores abdominais, vômitos e outros. Estes sintomas são tipicamente relacionados com o período de ida à escola, e desaparecem nos finais de semana ou férias. Através do exame clínico e de exames laboratoriais, se necessário, o pediatra poderá diferenciar este problema de doenças físicas.

Tive um paciente de dez anos, que apresentava dores no peito e a família estava preocupada com a possibilidade de problemas cardíacos. Após uma boa conversa, descobrimos que três colegas de classe o haviam agredido dois meses antes. Ele procurou a professora, mas não encontrou apoio. E se viu na terrível situação de ter de enfrentar diariamente, sozinho e quieto, as ameaças dos três. Por alguma razão, nada conversou com sua família. A questão foi resolvida sem remédios, com apoio psicológico adequado e mudança de escola.

A participação dos pais na vida escolar do filho é vital. Mesmo com todas as dificuldades da vida moderna, é preciso dar um jeito e arrumar tempo para freqüentar as reuniões, as festinhas e todas as atividades importantes do calendário escolar. Durante o convívio escolar muitas questões éticas irão surgir, exigindo o posicionamento e a participação dos pais.

Um deles é a cola. “Ah, mas todo mundo cola!”, dirão alguns. “Quem não cola, não sai da escola”, dirão outros. E eu direi que a cola é uma pequena grande desonestidade que seu filho não deveria aprender. Ou com a qual, no mínimo, você não deveria compactuar. A grande educação é feita do aprendizado de muitas pequenas coisas. E ter honestidade perante si mesmo, seus pais e professores é uma delas. Costumo dizer aos meus alunos, que colar é o mesmo que roubar um dinheirinho da carteira do professor, na hora em que ele não está olhando. “Ah, mas foi só um realzinho…” Para mim, é desonesto do mesmo jeito!

Nos trabalhos a serem preparados pelo aluno é cada vez mais comum o uso da internet , um fantástico meio de comunicação. Saber usá-la é uma necessidade para as crianças e jovens de hoje. O problema surge quando o aluno simplesmente “recorta” o que encontrou na sua pesquisa e “cola” no seu texto. Sem sequer elaborar aquelas idéias e também sem dar o devido crédito ao autor. A idéia de que as coisas que estão na Internet não pertencem a ninguém e podem ser usadas por quem quiser, precisa ser combatida. Eu mesmo já tive o desprazer de encontrar textos meus “rodando” por aí, até mesmo em sites comerciais, sem sequer ser citado meu nome como autor. Ensine ao seu filho mais esta lição de ética.

A relação com os professores, colegas e funcionários da escola deve ser pautada pelo respeito, educação, tolerância e convivência com a diversidade, conforme vimos em outro capítulo.

E o que fazer com as crianças que têm dificuldade de aprendizado? Sempre que possível, a causa do problema deverá ser investigada pelos profissionais de saúde e educação competentes. Mas isto não mais justifica a segregação destas crianças em escolas ou mesmo salas especiais. Em consonância com o movimento mundial pela Inclusão, a lei brasileira da educação preconiza a convivência de todos os alunos, com dificuldades ou não, na sala comum de aulas.

É um desafio para o professor? Sem dúvida, especialmente para aqueles que só sabem ensinar alunos que aprendem sozinhos. Mas um desafio estimulante, que traz o crescimento de todos, pois como já dissemos, a diversidade é uma das riquezas da espécie humana.

As crianças e os adultos devem aprender a conviver com as diferenças individuais, sejam elas quais forem, inclusive as de capacidade de aprendizado. Todos tem seu valor!

“Mas meu filho que aprende bem não vai regredir convivendo com outro que tem dificuldades?” ou “Esse aluno diferente não vai atrasar a classe?”, são perguntas freqüentes do pais. Posso responder com absoluta certeza que não, ninguém vai regredir, ninguém vai se atrasar. Pelo contrário, haverá um fantástico crescimento pessoal de todos os envolvidos nesse processo, que se tornarão melhores seres humanos.

Para quem se interessar mais por este tema, há excelente literatura nacional e internacional disponível sobre a Inclusão.

Ruy do Amaral Pupo Filho
Pediatra, Sanitarista e Escritor

 
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